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AME 

                                                   MANIFESTO

Se tem uma coisa da qual eu me lembro todo dia

É que lembrar das coisas é o que faz eu me tornar quem eu sou

Se tem uma coisa da qual eu não me esqueço

É que esquecer do que se viveu não é seguir em frente

Pra seguir em frente eu não posso deixar uma coisinha pra trás…

 

A memória.

Memória não é passado

É o presente tentando ser feliz de novo

É o futuro dizendo que também é possibilidade

É a arte que desenha no céu a linha do tempo de um povo

E é aí que vem a rima, que a cor ganha destaque e que o traço ganha vida!

 

Eu quero me lembrar!

A cada vez que me lembro, eu vivo mais uns cem anos

A cada vez que me revisito, me trago um presente

A cada vez que me indago, dou uns três passos à frente

A cada vez que não questiono, ganho uma bonificação

A cada vez que reverencio, ganho a mais linda tradição!

 

A arte de recordar

Pela arte de registrar

Com a arte de caminhar…

Adiante!

Sem largar quem veio antes



“Crescer em um bairro como Sabaúna nos faz encarar uma singela relação com o tempo. Sabaúna tem seu destaque no seu jeito simples e tradicional de lidar com a vida, em suas atividades ao ar livre, suas festas populares, sua natureza, seus rostos conhecidos, até em seus problemas (que todo pedaço de chão tem). 
Pensando nisso, depois de anos trabalhando com cultura, me senti preparado para desenhar o projeto AME - ARTE E MEMÓRIA SABAÚNA, que veio com essa missão de, através de oficinas de artes, recuperar a memória que vai se perdendo dia após dia, e fomentar nos moradores o senso de pertencimento e identidade.
Muitas vezes, no decorrer de dias comuns, não conseguimos enxergar a cultura nos nossos afazeres. Mas ela está lá. Em cada cheiro, sabor, cantiga de roda, oração, grito entusiasmado, lágrima escorrendo. AME não é um projeto que tem começo, meio e fim, é uma missão de despertar esse olhar e fazer com que a memória seja celebrada enquanto ela é viva, por quanto tempo durar. 
 
Samu Carrasco

 
 




 


“A exposição “Arte e Memória Sabaúna” mergulha na concepção de que a arte abre caminhos onde a linguagem comum já não alcança. Arte que anda lado a lado com o ato de recordar e expressar as subjetividades de uma população, através das mais diversas manifestações. A gente pinta, borda, canta, escreve poesias, festeja, chora e sorri em conjunto para lembrar o porquê de estarmos vivos aqui e agora. As memórias invadem o processo artístico para não deixar morrer a história de onde viemos e para onde podemos ir, projetando futuros possíveis para as próximas gerações. Todo o trabalho realizado veio para concretizar o que Ecléa Bosi afirma em alto e bom tom: "Na maior parte das vezes, lembrar não é reviver, mas refazer, reconstruir, repensar, com imagens e ideias de hoje, as experiências do passado. A memória não é sonho, é trabalho." Trabalho que se constrói no dia a dia, no cotidiano, carregando dentro de cada um o sentimento de gratidão, valorização e pertencimento. Lembrar para ser, resistindo e lutando pelo direito de contar a nossa própria história. 
 
Camila Vidal da Costa

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